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Nobreza de Portugal

Neste blog pode ficar a conhecer melhor a história dos títulos nobiliárquicos portugueses, das respectivas famílias e algumas curiosidades. Para dar sugestões ou informações comente no blog.

Nobreza de Portugal

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Duque de Ávila e Bolama

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O título de Duque de Ávila e Bolama foi concedido a António José de Ávila (através de decreto de D. Luís de 14 de Maio de 1878), por ter conseguido, através da mediação do presidente norte-americano Ulysses S. Grant, garantir a soberania portuguesa sobre a ilha de Bolama, na Guiné-Bissau, também disputada pelo Reino Unido. Foi o único dos vinte e nove títulos de duque criados em Portugal atribuído a um nobre sem qualquer vínculo de sangue à casa real portuguesa.

Retrato_do_Duque_d’Ávila_e_Bolama_-_Miguel_Ângelo_Lupi,_1880

António José de Ávila nasceu a 8 de março de 1806, numa modestíssima habitação da Rua de Santo Elias, da freguesia da Matriz da então vila da Horta, Ilha do Faial, Açores, filho de Manuel José de Ávila, sapateiro de ascendência picoense, e de Prudenciana Joaquina Cândida, lavadeira, oriunda de famílias pobres da Matriz da Horta.

Dos dez filhos do casal, apenas quatro sobreviveram até atingir a idade adulta, o que diz das condições de vida da família. Entre os filhos que atingiram a idade adulta, António José, o futuro duque, era o rapaz mais velho, apenas precedido por sua irmã Joaquina Emerenciana (nascida em 1804). Os outros sobreviventes foram Maria do Carmo (nascida em 1815) e Manuel José, o último filho do casal (nascido em 1817).

Durante a infância de António José as condições económicas da família melhoraram substancialmente, tendo o pai enveredado pelo comércio e conseguido amealhar alguns recursos. Tanto assim é que, quando António José termina com excepcional brilho os poucos estudos então disponíveis no Faial, já o pai dispunha de meios suficientes para lhe permitir estudos fora da ilha, o que então era privilégio de poucos.

Assim, com apenas 15 anos, Ávila matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde estudou filosofia natural e os preparatórios de Matemática. Frequentou também naquela Universidade o primeiro ano de Medicina. Dos tempos de estudante não se lhe conhece qualquer militância política.

António José de Ávila foi um político conservador do tempo da Monarquia Constitucional em Portugal. Entre outras funções, foi ministro das Finanças e, por três vezes, Presidente do Conselho de Ministros (1868, 1870 – 1871 e 1877 –1878).

Títulos associados:

O Duque de Ávila e Bolama também tinha os títulos de Conde de Ávila e Marquês de Ávila.

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Jazigo de família do Duque d'Ávila e Bolama

Duque de Aveiro

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Duque de Aveiro, era um título associado à Casa Real Portuguesa, concedido por D. João III, em 1547, a D. João de Lencastre, filho sucessor do 2.º Duque de Coimbra, D. Jorge de Lencastre, este, por sua vez, filho bastardo de D. João II. Não sendo renovado o título de Coimbra por D. João III, ficou assim em uso o de Aveiro nesta Casa com a varonia do "Príncipe Perfeito".

Lista de Duques de Aveiro:

1. D. João de Lencastre (1501 – 22 de Agosto de 1571);
2. D. Jorge de Lencastre (1548 – 4 de Agosto de 1578);
3. D. Juliana de Lencastre (1560 – 1636);
4. D. Raimundo de Lencastre (1620 – 6 de Outubro de 1666);
5. D. Pedro de Lencastre (1608 – 23 de Abril de 1673);
6. D. Maria de Lencastre (1630 – 7 de Fevereiro de 1715);
7. D. Gabriel de Lencastre (1667 – 1745);
8. D. José de Mascarenhas e Lencastre (2 de Outubro de 1708 – 13 de Janeiro de 1759).

A extinção do título:

O 8.º duque de Aveiro foi declarado apátrida por ordem régia e sentença judicial em 1759, deixando de ter, por isso, quaisquer direitos aos títulos que ostentava. O filho herdeiro do último duque (a quem o Marquês de Pombal proibiu que se casasse), D. Martinho Mascarenhas da Silva e Lencastre, 6.º marquês de Gouveia, deixou descendência, embora ilegítima, no antigo concelho de Azeitão. Seu pai, D. José de Mascarenhas da Silva e Lencastre, também deixou descendência ilegítima na cidade de Aveiro, mais precisamente na freguesia de Aradas.

As propriedades desta família ducal foram todas confiscadas pela Casa Real em 1760. Todos os seus edifícios e bens próprios foram destruídos, concedidos a outrem ou vendidos, depois de confiscados pelo Estado. As pedras de armas dos Aveiro foram mandadas picar e o chão dos seus palácios e quintas mandado salgar. O próprio nome oficial da cidade de Aveiro foi alterado para o de Nova Bragança (mais tarde voltando ao original). A única propriedade ainda demonstrativa do antigo poder desta família é o grande e sumptuoso Palácio de Azeitão, infelizmente em total abandono e estado avançado de degradação.

São actualmente representantes desta família Lancastre, dos duques de Aveiro, os marqueses de Lavradio, descendentes legítimos de D. Francisca das Chagas Mascarenhas, marquesa de Lavradio, a qual foi irmã do 8.º e último duque de Aveiro. D. José de Mascarenhas da Silva e Lencastre, 8º e o último Duque de Aveiro também deixou descendência ilegítima na cidade de Aveiro, mais precisamente na freguesia de Aradas.

A varonia Lancastre, legítima, existe ainda, na Casa dos Condes da Lousã, os quais não descendem porém dos duques de Aveiro, mas sim de D. Jorge de Lencastre, 2.º duque de Coimbra (pai do 1.º duque de Aveiro), por um filho mais novo deste.

Ainda existe um filho de Dom Afonso V, com sua sobrinha Dona Joana de Castela, chamado Dom Gonçalo Afonso d'Aviz Trastámara Fernandez, que por medidas de segurança, diante de uma conspiração para mata-lo, por questões políticas, pois a este cabia suceder seu irmão Dom João II, mediante a uma suposta união do Reino de Portugal e o Reino de Castella, pois a este cabia a sucessão das duas coroas, uma por linha paterna e a outra por linha materna. Por ordem da Casa Real Portuguesa, teve de ser exilado na Ilha da Madeira, nos Açores, onde recebia anualmente caravelas carregas de tudo quanto lhe era necessário para que tivesse vida de Príncipe, que de fato e direito lhe pertencia. Mais tarde seus descendentes, herdeiros legítimos e sucessores na linha de primogenitura, adotaram o apelido de " Lisboa", em 1539 com a morte de Gonçalo Afonso de Aviz Trastámara Fernandez, a primogenitura segui-se através de seu filho Pedro, e atualmente encontra-se com a Família Real Lisboa, a atual primogenitura, com as prerrogativas inerentes"Jus Majestatis et Jus Honorum" por "Jus Sanguinis et Jus Regno.

Outros títulos associados:

Os outros títulos associados são o de Duque de Torres Novas e Marquês de Torres Novas.

Nome de Família:

O nome de família dos Duques de Aveiro era Lencastre, Lancastre ou Alencastro (vide genealogia dos Alencastros da Casa de Aveiro, Torre do Tombo) dada a ligação à rainha D. Filipa de Lencastre, filha de João de Gante, Duque de Lancaster.

O nome de família dos Duques de Lisboa era Aviz ou Avis dada a descendência à D. Afonso V, filho de D. Duarte I e Trastámara dada a ligação à D. Joana de Castela, sua sobrinha com quem teve um filho, Gonçalo Afonso de Aviz Trastámara Fernandez, que foi mantido oculto o seu nascimento, por questões políticas, diante da conspiração de matá-lo, pois a este cabia a sucessão ao throno de Portugal e simultâneamente por linha materna o Trono de Castela. Sua descendência direta e sucessória adotaram o apelido Lisboa da linhagem real, na época foi criado o brasão de armas do herdeiro e sucessor ao trono, com o intuito de assegurar a perpetuidade real e quanto ao acréscimo do apelido Lisboa ao nome, por questões de segurança e para evitar possíveis perseguições políticas, formando-se assim a Família real Lisboa desde 13 de julho de 1539.

Palácio dos Duques de Aveiro:

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Por altura da fundação do Convento de Nossa Senhora da Piedade em Azeitão, a sede da Ordem Militar de Sant'Iago foi transferida para o Real Convento de Palmela, cuja fundação estava concluída em 1482. Azeitão tornara-se a partir do século XIV o lugar de veraneio preferido pela melhor nobreza do Reino e a corte visitava, com frequência, a vila de Setúbal, onde se fixava durante longos períodos. Alguns destes factos terão provavelmente contribuído para que o Senhor D. Jorge, filho bastardo de D. João II e Mestre da Ordem de Sant'Iago, «com singeleza e afabilidade real viesse muitas vezes buscar o gazalhado de uma cela entre os frades do convento dominicano.» de que obteve, em 1521 e 1537, a cedência por aforamento de um terreno junto do mosteiro para construir uma casa e fazer uma quinta. É esta a origem da edificação quinhentista - o Palácio dos Aveiros - existente no Rossio de Vila Nogueira de Azeitão. El-Rei D. Manuel I confirmou D. Jorge - de quem se diz ter sido «generoso, humanitário e erudito» - na posse de todos os terrenos que herdara de seu pai nas regiões de Coimbra e de Aveiro e na Vila de Torres Novas e determinou que estes fossem transmitidos aos descendentes por via varonil. Assim se instituiu um grande morgadio, a Casa de Aveiro, talvez a mais opulenta de Portugal, em bens, direitos e honrarias, depois da Casa de Bragança. Todos os titulares do ducado usaram o apelido de Lencastre, em virtude de o Duque de Coimbra ser trineto de D. Filipa de Lencastre, excepto o último, D. José de Mascarenhas, cuja posse se processou sem ascendência Lencastre, por via inteiramente varonil. O título de Duque de Aveiro foi conferido por mercê de D. João III a D. João de Lencastre, primogénito de D. Jorge, no princípio do ano de 1547, segundo se crê. Desconhece-se a data da construção do solar de Azeitão e a sua traça inicial por ausência de documentação. Há no entanto motivos para admitir que a obra tenha começado por volta de 1521-1522, e que se efectuassem posteriormente modificações e acrescentes quer no tempo de D. Álvaro e D. Juliana, que deram toda a sumptuosidade ao palácio, quer quando o edifício passou a pertencer ao último titular.

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O palácio dos Duques de Aveiro é um edifício severo e majestoso do Renascimento Clássico, constituído por um corpo nobre flanqueado por duas alas que delimitam um largo pátio de entrada. O corpo central, que mede cerca de 30 metros de frente, domina pela sua altura as restantes construções. A sua fachada é de dois andares e está dividida em três corpos. No andar superior há sete janelas, das quais a central e as laterais estão ornamentadas com frontais triangulares em cujo tímpano se colocaram bustos. O andar inferior tem seis janelas e outras tantas mazzaninas que ladeiam um pórtico monumental, emoldurado de colunas dóricas e sobre o qual estão as armas ducais. O escudo foi picado quando da condenação do último Duque de Aveiro. Uma escadaria de pedra, longa e imponente, de dupla rampa e que outrora foi embelezada com dez estátuas de mármore dá acesso a uma varanda ampla que reveste a metade inferior do corpo central e para a qual se abre a porta principal do palácio. O corpo central é ladeado por dois outros corpos mais baixos, com cerca de 12 metros de largura, os quais têm três janelas e outras tantas mazzaninas. Um terraço ajardinado acompanha as alas e os corpos laterais, continuando-se com o primeiro patamar da escadaria que dá acesso à entrada nobre do edifício.

A sala de entrada do palácio, conhecida por Sala dos Tedescos, por ser o local de estacionamento uma guarda alemã, era espaçosa e conduzia a uma dependência do andar superior com 25 metros de comprimento e 10 metros de largura. o tecto era de madeira e as suas paredes estavam azulejadas até meio. A ligação com os andares superiores e inferiores fazia-se por duas escadas de um só lance. O corpo central e o lateral direito do edifício incluíam ainda outras salas igualmente de tecto alto e dispostas em fiada, entre as quais a sala de recepção do Duque, a sala de jantar e as dependências destinadas a jogos. A ala direita era ocupada, na sua totalidade, em cima pela sala de baile e em baixo por uma outra divisão chamada Sala da Neve. A primeira era muito comprida e alta, tinha um tecto estucado de forma hemicilíndrica, com pinturas alusivas a motivos musicais. As paredes eram revestidos por azulejos e apresentavam 32 vãos, correspondentes a portas e janelas. Esta sala dava para o jardim através de uma grande varanda coberta por madeira, sustentada por dez colunas e revestido parcialmente por azulejos. Dois pequenos corpos em forma de pavilhões ocupavam as extremidades desta janela que comunicava com o jardim por uma pequena escada. Por baixo da sala de baile ficava, como se referiu, a Sala de Neve, cujo tecto era suportado por delgadas colunas cilíndricas de mármore. Existia numa das paredes, a uso da época, uma pequena cascata revestido de embrechados de pedrinhas, conchas e pedaços de louça de cor. As salas da ala esquerda eram utilizadas como aposentos dos donos do palácio. Tinham oito janelas e o mesmo número de mazzaninas e estavam viradas a poente. Existiu no seu extremo sul uma passagem para uma tribuna que os Duques possuíam sobre 2 porta principal da igreja do convento de Nossa Senhora da Piedade e cujo repágulo os priores do Convento tinham a honra de correi quando os duques queriam assistir dela aos ofícios divinos. Esta passagem e a tribuna foram derrubadas pelo terramoto de 1755. As salas desta ala tinham um pé-direito mais baixo e as suas portas e janelas eram de menores dimensões, o que contrastava com as das restantes dependências do palácio. Esta ala possuía ainda uma extensa cave onde estava instalada a adega.

Nas traseiras da fachada principal ficavam as dependências dos criados, as cozinhas e ainda o pátio onde se situava o oratório particular do palácio. As cocheiras, muito amplas e com largas portas, ocupavam a parte nascente do edifício e estendiam-se até à entrada. O palácio tinha ainda uma grande quinta com quatro ruas muito compridas povoadas de árvores silvestre ' s, agradáveis bosques, boas vinhas e pomares de todo o género de fruta, entre as quais os conhecidos abrunhos do duque.. Possuía também um pequeno jardim com labirinto, um aviário conhecido por «casa dos passarinhos», lagos e graciosas fontes"'. Os Duques de Coimbra, D. Jorge e sua mulher, D. Brites. devem já ter habitado a propriedade de Azeitão, a qual foi posteriormente residência mais ou menos demorada de seu filho e de seu neto, o 1º e 2º Duques de Aveiro, e quase permanente dos 3º Duques, D. Álvaro e D. juliana, casados em 1555. A 4 de Agosto de 1578 o rei D. Sebastião e o 2º Duque de Aveiro morreram na Batalha de Alcácer Quibir. Este acontecimento contribuiu para que o palácio ducal de Azeitão se tornasse local de acontecimentos com relevância na história do País. O 2º Duque de Aveiro, D. Jorge, era casado com D. Madalena de Giron, irmã do 1º Duque de Ossuna, de quem tinha uma filha única, D. juliana. No seu testamento efectuado antes da partida para a África, tinha declarado ser sua vontade que sua filha casasse com um primo, D. Jorge de Lencastre, filho do comendador-mor D. Afonso, e que o rei, uma vez realizado esse casamento, permitisse que D. juliana continuasse a usufruir dos bens inerentes à Casa de ,kveirol"'. A vontade do 2.Q Duque de Aveiro não foi satisfeita porque o futuro genro morreu também naquela batalha. Este facto propiciou várias visitas do 1.2 Duque de Ossuna ao Palácio de Azeitão a fim de persuadir sua irmã a consentir o casamento de D. juliana, considerada a mais rica herdeira de Portugal, com seu segundo filho, D. Pedro de Giron, só desistindo do seu intento quando o filho faleceu inesperadamente. A morte de D. Sebastião sem sucessor levantou os graves problemas para o País que todos conhecem. Filipe II de Espanha soube aproveitar o melhor possível os pontos fracos dos outros candidatos ao trono, D. António, Prior do Crato, e D. Catarina, Duquesa de Bragança, captando e subornando a maioria da nobreza portuguesa e da grande burguesia, dado o seu poder e riqueza. O português Cristóvão de Moura e o espanhol D. Pedro Giron, Duque de Ossuna, foram os executores do plano forjado por Filipe II. Recordamos estes factos porque Azeitão constituiu um dos locais onde Cristóvão de Moura mais exerceu a sua actividade. Os seus contactos foram facultados por ser irmão de D. Francisca de Távora, mulher de D. Álvaro de Sousa, senhor do morgadio de AI-cube em Azeitão em, e aqui se encontrarem muitas das personalidades que o rei de Espanha pretendia que aderissem à sua causa. Contaram-se entre elas o Bispo de Elvas, filho de D. Álvaro de Sousa, e Rui Lourenço de Távora, que exercia, nessa época, o cargo de Governador da Caparica. Efectuaram-se também entrevistas em Azeitão, de noite, e «com sendas barbas postizas.» com Afonso de Albuquerque, filho do célebre vice-rei da índia, que nessa época era, como se viu, proprietário da actual Quinta da Bacalhoa.

Durante este período D. Madalena de Giron recebeu, também, em Azeitão um emissário do Prior do Crato, pedindo-lhe licença para se alojar no seu palácio de Setúbal durante a reunião dos Estados, a efectuar naquela vila"'. Entretanto, D. Álvaro de Lencastre contestara a D. Juliana, sua prima, a posse do título e Casa de Aveiro e ganhara o pleito. D. Filipe I de Portugal interveio na questão e determinou que a filha do 2º Duque de Aveiro casasse com seu primo, o que, de inicio, repudiou mas mais tarde acabou por acatar, já que não tinha qualquer hipótese de manter a posse do ducado. Os 3ºs Duques de Aveiro fixaram então a sua residência, quase permanente, em Azeitão". Dom Álvaro tomou de inicio o partido do Prior do Crato mas passou, em breve, para o lado de Filipe de Espanha, o qual reconheceu que a adesão lhe era vantajosa porque iria diminuir o poder da Casa de Bragança, o seu adversário mais directo . já na posse do trono português, Filipe 1 de Portugal continuou a mostrar a sua simpatia pelos Duques de Aveiro e a cumulá-los de gentilezas, concedendo inclusivamente o titulo de 1º Duque de Torres Novas ao filho primogénito do casal. Os 3º Duques de Aveiro viveram no palácio uma vida principesca, quase própria de um rei'": As damas da Duquesa eram tratadas com «dom», o que na época só se dispensava a pessoas de alta linhagem; alguns criados eram cavaleiros de Sant'Iago e de Cristo e fidalgos da Cota de Armas; tinham uma guarda tedesca comandada por um capitão; entre os seus servidores contavam-se chanceler, ouvidor, escrivão da matrícula, tesoureiro, procurador, camarista, moço de câmara, guarda-roupa, capelão, escrivão da câmara do Duque, almoxarife, juiz escrivão de contas, moço de estribeira, cocheiro, caçador e archeiro de armas da Duquesa. Possuíam muitos escravos que, como era habitual, tomavam o apelido Lencastre dos seus senhores. Os diplomas promulgados pela secretaria dos Duques eram semelhantes aos emanados pelo próprio rei. Mais há a dizer sobre a história deste palácio que "cumprimenta" todos aqueles que entram em Vila Nogueira de Azeitão. É triste, no entanto, que o mesmo se encontre hoje em dia num estado lastimoso e a precisar de uma séria recuperação. Pena é, que ninguém, tanto a nível estatal como pessoal, tome qualquer tipo de iniciativa para essa recuperação. Não podemos quebrar os laços com a nossa história.

Fonte: http://www.azeitao.net/quintas/palacio.htm

Duque de Albuquerque

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Por decreto de 19 de Maio de 1886, D. Luís I concedeu ao 2.º conde de Mesquitela, D. João Afonso da Costa de Sousa de Macedo, o título de cortesia de duque de Albuquerque, nomeado em honra da representação de D. Afonso de Albuquerque, título esse que D. João Afonso declinou, só o aceitando 16 anos depois. O ducado de Albuquerque era título vitalício, ou seja, em sua vida, não sendo, portanto, automaticamente transmissível aos seus sucessores, o que não impediria que a coroa pudesse renová-lo.

1. D. João Afonso da Costa de Sousa de Macedo (1815–1890), 2.º conde de Mesquitela, 4.º visconde de Mesquitela
2. D. Luís Alberto Oulman da Costa de Sousa de Macedo, 7.º conde de Mesquitela, 9.º visconde de Mesquitela, 2.º duque de Albuquerque

Duque de Abrantes

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O título de Duque de Abrante foi um Título de cortesia concedido pelo Rei de Portugal, D.José I às 3ª e 4ª Marquesas de Abrantes, respectivamente D. Ana Maria de Lorena e D. Maria Margarida de Lorena.

D. Ana Maria de Lorena foi feita duquesa de Abrantes, uma vez que fora nomeada camareira-mor da rainha de Portugal, o mais alto cargo palatino ocupado por uma mulher.

O mesmo aconteceu com D. Maria Margarida de Lorena, filha da primeira duquesa de Abrantes, que também foi camareira-mor da rainha de Portugal.

História da Nobreza de Portugal

A primeira nobreza portuguesa havia-se formado a partir do reinado de Dom Afonso VI (1072-1109), Rei de Leão, com homens descendentes de fidalgos leoneses estabelecidos ao norte de Portugal, em especial entre os rios Douro e Minho. Esta era a região dos solares e dos homens mais poderosos do reino. Eles uniam fidalguia de nascimento à autoridade e ao prestígio de cargos públicos.

Eram seguidos na hierarquia, em ordem decrescente, pelos "infanções", "cavaleiros" e "escudeiros". Denominação de origem espanhola: "filho de alguém", aplicando-se aos funcionários superiores e originando a palavra "fidalgo", que, no século XIV, generalizou-se e passou a nomear todos os nobres de linhagem, designando assim a mais alta categoria da nobreza, sem dependência de cargo.

No tempo de D. Manuel I (1495-1521), por exemplo, quando foram designados os capitães da armada de Pedro Álvares Cabral que chegaram ao Brasil em 22 de Abril de 1500, a nobreza portuguesa já registrava essa ordem que datava do século XII. Os nobres integrantes da esquadra de Cabral obedeciam a essa característica, uma vez que a maioria descendia de famílias oriundas de Leão e Castela, radicadas em Portugal, já com numerosas gerações de serviço. As poucas exceções - como Bartolomeu Dias, que recebeu grau e armas transmitidos à sua descendência - demonstram a importância atribuída ao feitos nesse período dos descobrimentos.

A nobreza tomou caráter palaciano e, para receber novos graus, o agraciado precisava comprovar gerações de serviços prestados ao rei.

Foi também no reinado de D. Manuel I que foram estabelecidas regras que definiriam o uso dos graus de nobreza, bem como o uso das armas heráldicas, evitando abusos na adoção de ambos e estabelecendo os direitos da nobreza. Os nobres ficaram sujeitos ao rei e foram organizados em duas ordens, cada uma com três graus:

* "ricos -homens" (primeira ordem), que começavam como "moço fidalgo", passavam a "fidalgo-escudeiro" e chegavam a "fidalgo-cavaleiro";
* segunda ordem, em que estavam os "escudeiros-fidalgo" e "cavaleiros-fidalgo";

Apesar dos séculos XV e XVI terem sido ricos em atos de bravura e feitos heróicos, os feitos ligados aos descobrimentos não representaram acréscimo aos símbolos, atributos e novas armas no brasonário português. Poucas foram concedidas, e nem todas as mercês heráldicas foram registradas. O mesmo não ocorreu com os envolvidos nos combates, sobretudo por ocasião da ocupação do norte da África, encontrando-se maior número de brasões com atributos próprios, como a "cabeça de mouro".

A heráldica dos Descobrimentos fica restrita aos símbolos herdados de família, ligadas às localidades de origem, como a de Nuno Leitão da Cunha, com nove cunhas simbolizando o senhorio de Cunha-a-Velha, ou aos "falantes", como as cabras, dos Cabral, sem sugerir ou representar os desafios encontrados no mar e sua conquista. O brasão de Nicolau Coelho, que tem o contra-chefe ondado em prata e azul podendo simbolizar o mar conquistado, constitui a única exceção. O brasonário da armada comandada por Pedro Álvares Cabral é um retrato de sua época, com fidalgos, cavaleiros e escudeiros que nos brasões deixaram a marca familiar.

Todos os nobres eram considerados vassalos do rei.

Hierarquia da Nobreza:

A Nobreza Titulada Portuguesa tem os seguintes títulos e graus:

* Ducados Reais
** Ducado Real Hereditário (somente o Ducado de Bragança)
** Ducados Reais de Cortesia (vitalícios)
* Ducados
* Marquesados
* Condados
* Viscondados
* Baronatos

Os títulos podem ser:
* Hereditários
** De Juro e Herdade (sem limite de vidas)
** Em vidas (limite determinado de 2, 3 ou 4 vidas)
* Vitalícios

** Em vida (somente em vida do 1º titular)